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Súplicas Malditas

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Caminhava de volta para casa. Já eram cinco e meia da tarde. A luz do sol ia desaparecendo à medida que caminhava. Seus passos mal ecoavam em meio à rua cheia de pessoas. Fora um dia de chuva, andava rapidamente, queria chegar à sua casa antes que caísse um toró. Não se importava tanto com a escova que havia feito no dia anterior, mas sim com os documentos que guardava consigo.        Aos poucos a multidão ia se esvaindo, deixando seu caminho cada vez mais vazio. As ruas cheias de pessoas, casas, centros e etc. davam lugar a outras cheias de edifícios abandonados ou vazios devido ao horário. Estava acostumada ao trecho deserto, afinal, quem iria querer passar por ali àquela hora da tarde? Fora roubada algumas vezes, mas aprendera a não ter medo. O medo nunca ajudava naquelas situações.        Era uma tarde usual. Nada de novo, mesmas reclamações, mesmas broncas do chefe. Tudo a favor de sua infelicidade.        Uma criança surgira de um beco entre as edificações. Ela parou por um instant…

Verdadeiro

        A garota olhou à sua volta. Estava sozinha. Chorou. Desabou em lágrimas enterrando seu rosto entre os joelhos em meio à coberta envolta às suas pernas.        De repente, escutou um barulho. Assustou-se. Olhou à sua volta em busca do que fizera aquele som.        Caminhou em direção à porta da varanda de seu quarto. O medo a assolou. Apertou a coberta em volta de si enquanto caminhava.        Caminhou lentamente. As lágrimas ainda rolavam em suas bochechas.        Chegou à porta. Abriu-a. O vulto negro à sua frente a fez cair de joelhos. Desabou em lágrimas de novo.        - Você não deveria estar aqui. O que foi? Deseja ver a minha tristeza de perto?! Não foi o bastante presenciar tudo que me aconteceu? Minha vida está em ruínas. Não preciso de mais um a me jogar pedras...        Ele abaixou-se e tocou o tristonho rosto.        - Não vim para te julgar. Nem mesmo quero fazê-lo. Olhe em meus olhos. - Com os dedos, levantou a face da garota. - Eu estou aqui por você. 

O Debutar Esplêndido

Dançou sozinha a sua valsa. Rodopiou e cantarolou.
Parou. Olhou à sua volta.
Seus olhos brilhavam junto à um esplêndido sorriso. Ela tivera sua melhor noite.
Eles saudavam a debutante. Entregaram os melhores presentes à delicada moça, seus maiores bens.
Ela olhou bem a faca em suas mãos. Restava apenas um para seu baile sangrio estar completo.
Observou aos convidados caídos ao chão e seu vestido manchado.

"Ninguém se salva" - Sussurrou.

Em sua garganta sentiu as últimas gotas de sua vida esvairem-se em sangue.

Desespero

Ela corria. Corria o mais rápido que podia. Seu suor escorria através de seu corpo. Estava cansada. Bastante cansada. Ainda assim, seu olhar continuava fixo. Tentou correr mais rápido. Mais rápido e mais rápido. Saltou sobre sua presa.
Saltou sobre sua presa, que sorriu. Mal sabia ela que sua presa a transformara em caça.
Texto por: Stephanie Santana 
Dedicado à: Java o/ (Lucas Bulhões)

Planos nefastos

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Ela olhou para o punhal. O metal reluzia junto ao brilho de seus olhos. Olhou bem para o objeto que possuía em mãos. Sorriu com o que planejava fazer. Guardou-o. Jamais saberiam de seus planos nefastos.
       Ele era dela, apenas dela. Ninguém mais o possuiria. Jamais.

A Ponte

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Não sei ao certo como cheguei aqui. Já havia caminhado milhares de quilômetros. Meus pés doíam demais. Sentei, quase sem esperanças. Fiquei ali por algumas horas.
       Choveu. Levantei a cabeça olhando para o céu. Bebi um pouco da água da chuva. Animei-me um pouco e levantei. Havia dois caminhos a seguir. Optei pelo da direita. Andei por mais duas horas. Cheguei em uma vasta ponte. Ponte esta em qual não se podia ver o fim. Caminhei durante cinco minutos.
       Deparei-me com um buraco. Um enorme buraco estava à minha frente. Fiquei sem ação com o abismo que via logo abaixo.
       Escutei um barulho. Algo atrás de mim. Virei-me.
       - Desculpa... Acho que quebrei aquela parte da ponte... - Sua expressão era gentilmente compungida - Mas... Mas não se preocupe. Eu trouxe madeira, pregos, cordas e coisas assim. Podemos reconstruir a ponte e continuar seguindo.
       Mal pude acreditar. Viviane estava ali. Minha amiga. Ela sorriu. Eu sorri. Abraçamo-nos. Construímos. Segu…

A caixa

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Ela abriu a caixa. Estava vazia. Hesitou um pouco e fechou. Colocou a mão espalmada sobre a caixa, respirou fundo e fechou os olhos. Não queria chorar. Abriu a caixa novamente, retirou o fundo falso e observou. Pegou o pequeno objeto e sorriu, feliz.
Estava diante da lembrança mais feliz de sua vida.



Agradecimentos à Malú (twitter: @maluzinha18 ) e Bárbara C. Reis.

Mudança

- Te amo. - Ele disse.
       Ela olhou-no dentro de seus olhos. Sentiu medo. Não sabia mais o que realmente sentia. Refletiu. Observou os olhos daquele garoto que dizia amá-la. Não esqueceria aquele momento.
       - Também. - Ela respondeu.
       Ele saiu dali com uma estranha sensação. Havia algo diferente nela. Não sabia o quê. Fechou os olhos. Tentou não pensar naquilo. Mal sabia ele o que estava prestes a ocorrer.

Valor

Caminhei pela velha estrada brilhante. Mesmo à escuridão da noite de Lua cheia, as pedras de ouro brilhavam. Brilhavam de uma forma estranha. Brilhavam e não ofuscavam. Outras pedras de quais os nomes não sei dizer ao certo, de várias cores e tão brilhantes como a primeira, formavam desenhos. Imagens em movimento.
       Vi minha vida nesta estrada. Me vi brigando com minha irmã e batendo nela. Abraçando-a e rindo também. Época feliz...
       Vi toda a minha família, festas familiares, viagens, momentos que nem ao menos lembrava existir... Porém, momentos extremamente importantes.
       Vi-me com amigas, conversando, brincando, brigando, rindo, crescendo e voltando a ser criança em plena adolescência.
       Vi-me em meio ao A.N.E.I.E.A.,em uma nova fase, fase de mudanças. Loucuras substituíam momentos tediosos no colégio e nos juntavam em plena diversão.
       Caminhei sorrindo. Uma lágrima descia ao meu rosto. Enxuguei com as mãos.

       De repente, tudo estava escuro. As…

Desejo

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Obs.: Contém violência física e verbal

       O melhor caçador não corre atrás da presa. Ele a deixa vir até si e espera pacientemente pelo melhor momento para abocanhá-la de surpresa. Porém, nada substitui o prazer de uma boa caça.
       Ora, ora... Dia de sorte. Odor de dor e prazer.
       Ele  a olhava com intensidade. Machucava seu belo semblante, enquanto ela se punha a chorar. Ele estava com uma peixeira, ameaçava cortar-lhe a garganta se não parasse de chorar. Marcava-lhe o braço com um símbolo, difícil de ver devido ao sangue.
       Ela já não gritava mais. Estava rouca, mal conseguia falar. Já não possuía forças para qualquer outra coisa além de chorar. Seus olhos azuis suplicavam para que a desamarrasse, aquelas cordas estavam apertadas. Seus braços já estavam roxos devido à surra e doíam ainda mais por estarem tão firmemente presos. Nem ao menos podia sentir sua carne sendo rasgada pela faca.
        E então, após terminar o que queria, ele saiu. Foi buscar comida para a…

Lágrimas

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"Chore." - Era seu único pensamento.
       Então ela o abraçou. Pensou em como havia sido burra. Perdera aquele jogo. Perdera ele.
       "Mate-se." - Não. Ainda não. Desejava fazê-lo. Mas não era tão covarde.
       "Erga-se." - Ela o soltou, e contemplou seus belos olhos.
       Com uma lágrima escapando aos seus olhos, beijou-o na boca. Beijaram-se. Ela se afastou. Ele a segurou pela cintura.
       - Fique. - Aqueles olhos a queriam. Independente do que fizera.
       Ele puxou-a à si.
       - Preciso de você. Eu a perdoo. A idéia de perdê-la é insuportável. Não pode acontecer.
       - Então eu não o perdi? Você me quer de volta, mesmo com o que fiz?
       - O que fizestes não foi de todo grave. Me afastou, de fato, mas me ajudou a perceber quanto a amo.
       Abraçou-o. Não queria chorar. Mas chorou.Queria ficar ali com ele por toda a eternidade.
       - Não chores mais, meu amor. Estou aqui. Sempre estarei.
       Uma lágrima desceu pe…