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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

Essência

A moça corria. Corria por entre os arbustos. A todo momento, olhava para trás. Seus olhos percorriam por toda a sua volta. Estavam à procura de algo. Tentava ser rápida. Estava fugindo de algo.
       Abruptamente, ela parou. O homem havia lhe alcançado, encontrava-se à sua frente, um tanto próximo. Os sons do vento, das folhas batendo, dos pequenos animais, juntavam-se ao som de suas respirações ofegantes. Já não havia para onde correr.

       Seu olhar foi de encontro ao dele. Bruscamente, ele a puxou para si. A face assustada com o repentino puxão logo deu lugar a  um riso sapeca. Ele a envolveu em um abraço. Um forte abraço.


Texto por: Stephanie Santana (@stephaniedms)

Ciclo Mortal

Imagem
A katana atravessou o ar, cortando a cabeça de sua vítima desesperada. Yamada caiu sobre os próprios joelhos, cansada de sua peleja. Cravou sua espada no solo e encostou a cabeça em sua bainha. Fechou os olhos e suspirou. Sua vingança estava prestes a se completar, ainda assim, em seu coração, a dor e a raiva continuavam.
       Sua expressão permanecia impassível, mesmo diante de um fascinante pôr do sol.
       Levantou-se e caminhou até o homem morto. Cortou seu tórax e abriu sua caixa torácica. Retirou o coração e o esmagou. Uma lágrima escapou de seus olhos vazios. Soltou-o em cima do homem. Os dorsos das mãos da moça eram tatuados com diversos símbolos. Passou o sangue do homem na pele de suas mãos. Cravou a espada, no chão novamente, um tanto distante do corpo. Voltou para onde estava. Juntou suas mãos, fechou os olhos e começou a sussurrar. Enquanto Yamada proferia suas palavras, um tipo de luz branca saía  da katana e de suas mãos, que se afastaram. Ela as deixou espal…

Voo

Olhei para o céu e me deparei com uma única nuvem. Voltei meu olhar ao mar. Estava perto do pôr do sol, com céu ainda azul.
     Eu, aqui, sentada na grama à beira da praia, estou a observar um pequeno pássaro. Ele voa, voa, voa. Sobe, desce rapidamente, banha-se no mar e sobe, começando sua bela dança aérea. Minha mente o acompanha, sublime.
     Deito, fecho os olhos e então, quem diria? O danado do pássaro continua ali. Sentindo a grama fofa, a brisa suave, o cheiro do mar, permaneço a observar aquela perniciosa cena, ainda de olhos fechados. Neste momento, sua dança era dedicada a mim. Apenas à mim.
     Egocêntrico, não? Talvez. Mas o quanto isso importa agora? Aqui estou eu contemplando um magnífico voo. Um voo só meu, especialmente para mim.  Um sorriso abre em meus lábios. Abro os olhos. O pássaro já não estava lá. Em seu lugar, o pôr do sol.

Texto por: Stephanie Santana (@stephaniedms)