quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Essência

       A moça corria. Corria por entre os arbustos. A todo momento, olhava para trás. Seus olhos percorriam por toda a sua volta. Estavam à procura de algo. Tentava ser rápida. Estava fugindo de algo.
       Abruptamente, ela parou. O homem havia lhe alcançado, encontrava-se à sua frente, um tanto próximo. Os sons do vento, das folhas batendo, dos pequenos animais, juntavam-se ao som de suas respirações ofegantes. Já não havia para onde correr.

       Seu olhar foi de encontro ao dele. Bruscamente, ele a puxou para si. A face assustada com o repentino puxão logo deu lugar a  um riso sapeca. Ele a envolveu em um abraço. Um forte abraço.


Texto por: Stephanie Santana (@stephaniedms)

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Ciclo Mortal

       A katana atravessou o ar, cortando a cabeça de sua vítima desesperada. Yamada caiu sobre os próprios joelhos, cansada de sua peleja. Cravou sua espada no solo e encostou a cabeça em sua bainha. Fechou os olhos e suspirou. Sua vingança estava prestes a se completar, ainda assim, em seu coração, a dor e a raiva continuavam.
       Sua expressão permanecia impassível, mesmo diante de um fascinante pôr do sol.
       Levantou-se e caminhou até o homem morto. Cortou seu tórax e abriu sua caixa torácica. Retirou o coração e o esmagou. Uma lágrima escapou de seus olhos vazios. Soltou-o em cima do homem. Os dorsos das mãos da moça eram tatuados com diversos símbolos. Passou o sangue do homem na pele de suas mãos. Cravou a espada, no chão novamente, um tanto distante do corpo. Voltou para onde estava. Juntou suas mãos, fechou os olhos e começou a sussurrar. Enquanto Yamada proferia suas palavras, um tipo de luz branca saía  da katana e de suas mãos, que se afastaram. Ela as deixou espalmadas para cima, enquanto continuava a sussurrar.
       O cadáver foi aos poucos desaparecendo. Quando enfim desapareceu, Yamada abriu os olhos. Eles haviam tomado uma coloração nívea, enquanto sua expressão continuava impassível. Aos poucos, todo o fulgor antes visto foi se extinguindo. O pôr do sol já dera lugar à noite.

       Repentinamente, Yamada caiu, como uma boneca de pano largada ao chão.

...

       "Acorde. Vamos, estamos prontos! Seremos felizes juntos na eternidade!" - A voz, aparentemente vinda de lugar algum, parecia feliz.
       A moça levantou-se, lentamente. Seus olhos castanhos exibiam uma vivacidade incrível. Brilhavam, enquanto seu rosto exibia um sorriso terno. Já não mais uma expressão séria e fria. Correu até a espada, deixando seus longos cabelos esvoaçarem na brisa.
        Agora ficaremos juntos por toda a eternidade, eu sei! Sua voz era baixa e esperançosa. Sentou-se sobre os calcanhares, ao lado da espada, fixando o olhar na cidade, nos prédios. Tão distantes, tão diferentes daqueles campos onde estava... Olhou para espada e sorriu. Sim! Estou pronta para o nosso sonho, meu amor.
       Ela mal podia esperar para encontrar aquele que amava. Sabia que Aya, sua irmã, iria ficar sozinha, mas tinha certeza de que ela saberia lidar com isso. Era forte e batalhadora. E ela, Yamada, tinha que deixá-la. Esta, por sua vez, estava cega pela sua paixão. Via naquilo a única forma de reencontrar Katsuo e de vingar a sua morte brutal. Ela estava determinada e nem um pouco arrependida.

       Subitamente, Yamada foi jogada ao alto. Seu corpo permaneceu suspenso e inerte. Então, arqueou-se, com os braços abertos e pernas afastadas. Um clarão se formou à sua volta. Seu sorriso permanecia, mas seus olhos não mais brilhavam, estavam níveos novamente.




       – Yamada-chan! YAMADA, NÃO! – Distante, Aya, gritava aos prantos por sua irmã.
       Sangue começou a escorrer pelos olhos, boca, nariz e orelhas de Yamada. Seu corpo, bruscamente, caiu. Aya correu em sua direção gritando com imensurável aflição, cambaleante. Jogou-se ajoelhada ao lado de sua amiga. Estava morta. Puxou-a e a abraçou. Inconformada, balançava-se com o cadáver em seus braços. Suas roupas manchavam-se mais e mais de sangue.
       Seu choro calou-se. Então, notou ali, à sua frente, a katana. Tão amada e bem cuidada... Era linda. Sua expressão tornou-se impassível. Levantou-se, pegou a espada, onde o sangue não mais existia. Às suas costas, o corpo de Yamada desapareceu e a espada começou a brilhar. Marcas e símbolos surgiram nas mãos de Aya.


       "Ficaremos juntas por toda a eternidade, minha  querida irmã. Nós prometemos uma à outra! Deixe-me guiá-la."






Agradecimentos: Lucas Matos (Java), pelas dicas e por aceitar me propor uma imagem para que eu tivesse ideia para o texto.
Texto por: Stephanie Santana (@stephaniedms)
Ilustração e nomes dos personagens: Lucas Matos (Java) 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Voo

     Olhei para o céu e me deparei com uma única nuvem. Voltei meu olhar ao mar. Estava perto do pôr do sol, com céu ainda azul.
     Eu, aqui, sentada na grama à beira da praia, estou a observar um pequeno pássaro. Ele voa, voa, voa. Sobe, desce rapidamente, banha-se no mar e sobe, começando sua bela dança aérea. Minha mente o acompanha, sublime.
     Deito, fecho os olhos e então, quem diria? O danado do pássaro continua ali. Sentindo a grama fofa, a brisa suave, o cheiro do mar, permaneço a observar aquela perniciosa cena, ainda de olhos fechados. Neste momento, sua dança era dedicada a mim. Apenas à mim.
     Egocêntrico, não? Talvez. Mas o quanto isso importa agora? Aqui estou eu contemplando um magnífico voo. Um voo só meu, especialmente para mim.  Um sorriso abre em meus lábios. Abro os olhos. O pássaro já não estava lá. Em seu lugar, o pôr do sol.

Texto por: Stephanie Santana (@stephaniedms)