segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Tranquilidade

Das cores que a vida toma,
Das dores que o tempo doma,
Resta a mim sonhar,
Me entregar
E me deixar levar.

Da matéria?
Ah, desta eu nada levo.
Da vida? Tudo espero.
Com as experiências,
Cresço e me elevo - Também relevo...
Lá vou eu e encontro o mundo
Discorro sobre tudo
E de aprendizados me atenho.

Ah, eu me desfaço de ser gauche na vida
E faço-me um inteiro sem fim da minha personalidade.

Afinal, o que posso dizer
Se esse meu mundo é grande
E seu encaixe é perfeito
Lá na minha janela sobre o mar?


Autora: Stephanie Santana

Afago, Lipo

Daí, você aparece.
Me vem com esse sorriso troncho,
com simpatia sem igual,
esse ar de diversão
e todo esse carinho
que eu julgava já ter perdido.

Daí, um nó me alcança.
Em meio a um singelo abraço
Me perco sem volta

O que sinto, o que é isso?
É você, afinal?

Não me contenho,
Te aperto.
Não, eu não quero mais sair
Me sinto em casa, enfim.




Autora: Stephanie Santana

Mais uma música, por que não?

Ele observava atentamente a moça. Sentada, sozinha, encostada numa mesa de oito lugares. Ela parecia entediada, tomando um líquido amarelado em uma taça. Observava as danças das pessoas. Seu olhar, atento, tomava todo o espaço, percorrendo entre casal e casal dançante na pista. Seu olhar parecia crítico, parecia que estava cansada de algo ao seu redor e tentava se distrair construindo histórias ao seu entorno, mas sem muito sucesso.

O rapaz, por outro lado, acabara de pegar seu espumante e observava atento àquela feição que tinha tudo para ser meiga e esboçava justamente o contrário. Ele se divertia imaginando quais seriam as críticas daquele olhar tão atento às danças alheias e sorria consigo, aproveitando que estava em um ponto distante e tão imperceptível à adorável dama. Pensou consigo: "Será que consigo uma dança?". A ousadia de perturbar aqueles pensamentos, conseguir uma aproximação maior e quem sabe até trocar ideias e ajudá-la em suas críticas, lhe pareceu tão atrativa, que logo desencostou da pilastra, entregou sua taça vazia ao senhor garçom e, com um agradecimento, saiu em direção à ela.

Andou tranquilamente, vendo ao longe aquele ser que parecia ser inacessível. Andou sem pressa, sentindo em seu peito uma sensação inenarrável proveniente do nervosismo. Talvez ela estivesse ali sozinha porquê não saco pra as pessoas. Já imaginava ali, a cada passo, o não que muito provavelmente iria levar. Por que tentar, então? Ah, isso é bem simples: O não só é certo enquanto estivesse parado. Por menor que fosse a chance, ele podia ter o seu sim. Era dado o momento.


Ela aceitou a dança, com uma cara um tanto cética. Parecia duvidar que ele soubesse realmente dançar. Começaram a dançar no meio da música. Uma Valsa, por sinal. Tomaram o ritmo e seguiram. Valseavam de um lado a outro do salão. Ela parecia o vento, tão leve que era conduzi-la. Chegava a ser desafiador: ele queria tentar todos os passos, mas aquela valsa não permitia. Assim como seus passos de encontro àquela dama, exigiam intensidade e calma.

O rosto dela permanecia impassível, em uma concentração de alguém perfeitamente capaz de seguir meus passos, por mais difíceis que fossem. Ela o olhava de soslaio, ainda de forma desafiadora. Como resposta, ele intensificava a dança, obedecendo à intensidade proporcionada por aquele violino, que os atingia como fogo e enaltecia a dança. Para ele, era como se apenas houvessem os dois e a música, mais nada.

A música estava prestes a acabar. Pela primeira vez, ele a viu sorrir. Sorriu de volta. Se olharam. Olho a olho. Foram alguns segundos, na realidade. Foi a eternidade, para ele.

Ela tomou a condução e parou a dança. Trocando a expressão para um sorriso de canto de boca e uma sobrancelha erguida de questionamento, ela saiu. Pasmo, ele permaneceu ali, parado. E assim, a música acabou.


Autora: Stephanie Santana.
Inspirada na música "Valsa Última", por Ariel Ayres.