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Vórtice

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Sentiu que algo estava errado. O corpo inerte em seus braços não parecia como outros tantos que tiveram a infelicidade de serem suas vítimas...


Mas como? O que podia estar errado?
Não tinha ideia de como aquilo pudera ter acontecido. Era uma moça bonita, a mais bela que podia ter achado. Seu pescoço parecia pedir por uma mordida, mal podia ele se controlar.

Aaah, aquele sangue. Levemente ácido, como poucos humanos comseguiam ter... Era também um belo líquido viscoso de se ver escorrer enquanto ela desfalecia em meus braços.

Aaaargh! Ainda assim, o que poderia estar errado. Seus instintos não erravam. Alguma coisa anormal estava acontecendo ali...

Mas o quê?

Ela abriu os olhos. Mas como?

Ele a soltou assustado, deixando o corpo tombar ao chão.

Olhou novamente. Os olhos dela estavam fechados. Caiu sobre o corpo, chorando um pouco. Alisou o rosto e pediu desculpas, sussurando. Seu brinquedinho caíra por cupa sua. Ele mal podia lidar com isso. Pegou-a nos braços novamente, tinha que levá-la aonde…

Pedaços ao Vento

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O vento reverbera no corpo da moça. Ela podia sentir como se ele fosse levando pedaços e pedaços de seu corpo. A calmaria daquela praia inóspita (ainda que cheia de pessoas, sorrisos e brincadeiras) a assustava.

"Teria que ser sempre assim?" - Ela pensou.

Olhou atentamente o horizonte. podia vê-lo, à distância, lhe dando as costas e sumindo...

Com ele, via partir uma parte de si. Um pedaço de sua base. Ia com ele, um rapaz que apenas andava, se distânciava. Em momento algum ele sequer olhou para trás.

"Será que está sorrindo? Será que está chorando? Será..."

Perguntas e perguntas ecoavam pela mente dela. Não somente com relação àquele ser, mas também sobre si mesma. Estava de coração partido. Estava sozinha, novamente. Não por não ter a ninguém, mas simplesmente pela sensação de abandono que lhe permeava. Sentia que mais uma vez ela perdia um caminho, que mais uma vez tinha entregue um pedacinho seu a alguém que apenas foi embora.

Saiu de seu tranze e observou à sua volt…

Tranquilidade

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Das cores que a vida toma,
Das dores que o tempo doma,
Resta a mim sonhar,
Me entregar
E me deixar levar.

Da matéria?
Ah, desta eu nada levo.
Da vida? Tudo espero.
Com as experiências,
Cresço e me elevo - Também relevo...
Lá vou eu e encontro o mundo
Discorro sobre tudo
E de aprendizados me atenho.

Ah, eu me desfaço de ser gauche na vida
E faço-me um inteiro sem fim da minha personalidade.

Afinal, o que posso dizer
Se esse meu mundo é grande
E seu encaixe é perfeito
Lá na minha janela sobre o mar?


Autora: Stephanie Santana

Afago, Lipo

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Daí, você aparece.
Me vem com esse sorriso troncho,
com simpatia sem igual,
esse ar de diversão
e todo esse carinho
que eu julgava já ter perdido.

Daí, um nó me alcança.
Em meio a um singelo abraço
Me perco sem volta

O que sinto, o que é isso?
É você, afinal?

Não me contenho,
Te aperto.
Não, eu não quero mais sair
Me sinto em casa, enfim.



Autora: Stephanie Santana

Mais uma música, por que não?

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Ele observava atentamente a moça. Sentada, sozinha, encostada numa mesa de oito lugares. Ela parecia entediada, tomando um líquido amarelado em uma taça. Observava as danças das pessoas. Seu olhar, atento, tomava todo o espaço, percorrendo entre casal e casal dançante na pista. Seu olhar parecia crítico, parecia que estava cansada de algo ao seu redor e tentava se distrair construindo histórias ao seu entorno, mas sem muito sucesso.

O rapaz, por outro lado, acabara de pegar seu espumante e observava atento àquela feição que tinha tudo para ser meiga e esboçava justamente o contrário. Ele se divertia imaginando quais seriam as críticas daquele olhar tão atento às danças alheias e sorria consigo, aproveitando que estava em um ponto distante e tão imperceptível à adorável dama. Pensou consigo: "Será que consigo uma dança?". A ousadia de perturbar aqueles pensamentos, conseguir uma aproximação maior e quem sabe até trocar ideias e ajudá-la em suas críticas, lhe pareceu tão atrati…

Estágios de Vida

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Queimou-se.
Em si, de si.
Fez-se intensidade.
De que maneira então por em palavras a vida?
De que maneira então se descrever?
Ao pôr a vida em movimento,
Ao pôr a si em movimento,
Faz de si labaredas.
Para alguns: calorosa.
Para outros, algoz.


 Autora: Stephanie Santana

Alegria, agonia

É isso, menino.
Vai lá, Faz da vida poesia;
Faz do encanto tua alegria.

Ah, mas que covardia!
Pra quê tanta agonia,
se desperta tantas vidas?

Encontra-te, em sua via.
Caminha,
Não desvia.
Em suas palavras cairás um dia...


Autora: Stephanie Santana.

Rema, Remador

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Ele vai ali, segue seu rumo, remando
Parou para pensar em si?
Parou para pensar no mundo?
Sua cabeça toma-se em emoção
Fica ali, na sua paz
Faz de si assim,
Coração e alma.


Autora: Stephanie Santana. Foto por Sálvio Júnior. Modelo desconhecido.

Dual

A vida é de intermédios
Não há um muro
Não há lado para ficar

Essa dualidade que achamos
Que burros, nós, humanos
Que dificuldade é essa
Em perceber o simples
Em ver que é inatingível
Esse poder de entender
Esse poder de controlar
Em qual lado ficar

Quais lados você vê?
Em que lado quer ficar?
Ha-Ha-Ha!
Acredite, meu irmão
Isso é algo que não há.

Plurais que somos
Plurais que vemos
Verdade única?
Ilusão
Jogada aos quatro ventos.

Medo de Asas

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Vai, vai lá menina!
Vai, sem medo de viver
De correr seus riscos
De pensar em seus atos, aflita
De sair sem sair do ninho
De cair pra se reerguer

De encontrar obstáculos no caminho.

Vai, vai lá, menina, que você não está sozinha
Não se nega, caminha
Porquê as flores regadas ao trilhar
Ah, essas, o mundo dará
Não óbvias talvez, mas com toda a sensatez.


Foto e texto por: Stephanie Santana.
Na foto: Rayane.