quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Gaia

Os pés afundaram na areia.
Abriu os braços.
Sentiu o vento.
Sentiu a brisa.
Sentiu o calor brando de um sol prestes a se pôr.

A água vinha aos poucos, molhando a barra de sua saia, seus pés, sua alma.
Em nada pensava, tudo sentia.

Sorriu.
Sorriu diante de uma vastidão.
Vastidão de sentimentos, experiências e opotunidades.

Sentiu suas mãos formigarem.
Sentiu sua pele transformar-se.
Sentiu a água que escorregava abaixo de seus olhos.
Sentia-se afundar, misturar-se.
Sorriu, resiliente.
Fez-se Gaia.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Incandescência Declarada

    Cansada, caminhou sem rumo. Desfez suas malas na última parada e largou para trás os seus excessos. Tudo pesos sem sentido, que carregava por carregar.
    Parou enfim em uma lanchonete. Foi ao banheiro, que tava meio imundo, por sinal. Lá, lavou o rosto, tirou seu chapéu por um momento e se viu.
   Ali, em frente ao espelho velho meio embaçado, viu-se manchada. Mas não; não estava manchada pelas manchas do espelho. Aquilo vinha de si. Ela então olhou em seus próprios olhos a fim de se enxergar e permaneceu ali por um tempo.

    Um sorriso brotou em seus lábios e alargou-se em seu rosto. Ela encontrou e escutou seu silêncio. Pôs seu chapéu. Seu rosto agora estava indiscernível. Seus olhos brilhavam, incandescentes; numa cor vibrante nascida do pó em qual um dia se transformou. Já o seu rumo, se tornou mais claro, ainda que desconhecido.

Autora: Stephanie Santana
Foto por Alile Dara Onawale (http://gavetanalogica.tumblr.com/).
Agradecimentos à Alile por eternizar momentos inspiradores através de suas fotos. <3

domingo, 28 de setembro de 2014

Meia Luz

À meia luz, segundo andar.
Cantarolava canções à espera de um olhar.
Sorria, enrubescia, esperava por uma expressão de encanto.
Se deixava observar por um olhar atento.
Parou por um momento.
Deitou-se e se encostou.
O que dizer daquele momento?
Daquele brilho no olhar,
Daquele sorriso safado a acariciar...
Cantava a fim de brincar
Brincava a fim de encantar.
Encantados ali se encontravam
Passavam de encantados a entrelaçados
E num poço de ternura e tranquilidade, revelavam-se.



Autora: Stephanie de M. Santana.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Elo

Sentiu-se perdida. Cadê a luz, cadê a escuridão?
Queria felicidade, encontrava fragmentos. Queria se encontrar, mas deixava a alma para trás.
Tirou fotos, sorriu e postou onde sabia que encontraria elogios.
Tentou acreditar naquilo, mas não lhe interessava. Não era aquilo que queria.
Procurava-se no mundo dos desesperados. Rasgava-se em vão.

Onde está a vida, onde estão os amores?
Quanto mais se afastava, mais se doía, mais se esquecia do que era o amor, mais buscava por esse amor.
Qual é a razão enfim? Qual a natureza enfim.
Morte à alma, diria em vão.
Assassinato cometia.


Autora: Stephanie Santana

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Estrela

Sentou em sua cama e viu o tempo passar.
"O que fazer, enfim?" - Pensou.

Queria dar crédito às estrelas. Queria mostrar o valor, a história, a beleza, o encanto. Pensou que talvez assim, se encontrasse ou, quem sabe, reencontrasse.

Pensou em deixar-se. Pensou em seus dias. Mexeu em seu blackpower enquanto mexia um pé. Pensou. Deixou-se.

Em seu aparelhinho mágico, procurou por uma foto. Procurou inspiração. Procurou seus anseios. Procurou suas saudades, seu conforto, seus momentos.

Encontrou brilho, encontrou som,  encontrou cores.
Encontrou versos, amores e sorrisos.

Sorriu, ali, sentada, com seus pensamentos bobos, com sua inspiração, seu sorriso leve, seus anseios. Era um pouco pesado, mas era bom. Se via ali, em conforto, marcando olhares, marcando amores, marcando ternura. Se via ali, encontrando, reencontrando, marcando.

Seria ela como suas estrelas? Poderia ela ser cadente?
Não sabia. Ainda assim,  ela sorria.

Autora: Stephanie Santana
Inspirado por uma foto de Alile Dara Onawale (http://gavetanalogica.tumblr.com/).

Artêe

Corre bem depressa e ensina ao que resta deste mundo o amor.
Sorria enquanto cria, chora, dança e rima.
Encante, encontre, sonhe.
Remeta às mentes mortais o que é ser livre, o que é amar.
Ilustre, sinestesie vontades paradas em versos sem palavras.
Veleje em formas que traduzam sentimentos que transformem, que criem vida.
Faça de si sua estrela cadente e traduza sua mente.

Sorria, respira e vai. Leve vida e alma. Artee os corações alheios. Encha-os de um ritmo vivo de imagens paradas.

Autora: Stephanie Santana
Foto por Alile Dara Onawale (http://gavetanalogica.tumblr.com/).